Vejam os vídeos diários do encontro no nosso canal de vídeos do youtube no link ou na playlist abaixo:
Pombas Urbanas - Canal do Youtube
sábado, 14 de setembro de 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
ENCONTRO DA REDE LATINOAMERICANA DE TEATRO EM COMUNIDADE
Hoje no 5º Encontro Comunitário de Teatro Jovem das 10h à 13h aconteceu o 3º dia de reunião da Rede Latinoamericana de Teatro em Comunidade.
Uma Rede de Redes, com a presença de:
- Rede de Teatro da Floresta (Manaus, Brasil),
- Tiempos Nuevos Teatro (El Salvador),
- Caja Ludica (Guatemala),
- Catalinas Sur (Argentina),
- Teatro Andante (Cuba),
- Grupo do Beco (Belo Horizonte – Brasil),
- Grupo Piollin (Paraíba, Brasil),
- Teatro Vichama (Peru),
- Fofa – Formação de Facilitadores (Florianópolis, Brasil),
- Teatro Los Volcanes (México),
- Nuestra Gente (Medellin – Colômbia),
- TUOV – Teatro União e Olho Vivo (São Paulo, Brasil),
- Núcleo Pavanelli (São Paulo, Brasil),
- Buraco D´Oráculo (São Paulo, Brasil) e
- Luciana Lima da USP Leste.
O que há por trás de tudo o que fazemos é a construção da comunidade. Somos "teatreiros", temos interesse social, formação universitária... de diversas maneiras o teatro em comunidade é nossa forma de vida...
“...somos como a soca da cana: me cortem que eu nasço sempre” / “entrar no pombas urbanas e ver um grupo de crianças dançando frevo, cantando o Brasil, cantando a América Latina, é algo que renova o tesão. É como ver uma mulher nua correndo na nossa frente” (César Vieira)
Temas que surgiram:
1) perspectiva da construção da articulação da Rede Latinoamericana de Teatro em Comunidade com a Plataforma Puente (plataforma de mobilização por políticas públicas para a cultura no continente)
2) Comunicação para uma democracia verdadeira - ação comunicativa para além das ações de informação, divulgação, mas dentro de do conceito de comunicação – transformação (democracia verdadeira)
3) Processo formativo – Escola Latinaamericana Aberta de Teatro
4) Criação e Transformação - uma utopia presente. Em nossas comunidades, vivemos a utopia no presente com a comunidade, processos criativos pedagógicos com crianças, jovens, com o teatro. E se tem teatro e tem público, é política.
5) Projeto conjunto 2014/2015 da rede para Iberescena– um que hacer conjunto para esse ano, uma meta
Para amanhã, se formou quatro comissões para discutir e preparar ações:
1) BRASIL SE REÚNE, Rede Brasileira de Teatro de Rua e a Rede Latinoamericana de Teatro em Comunidade
2) Rede e o PLATAFORMA PONTE – CONTINENTE
3) Compilação dos DOCUMENTOS ANTERIORES PARA FAZER UM PLANO DE AÇÃO
4)Produção de um DOCUMENTO INDICATIVO SOBRE FORMAÇÃO NA ESCOLA ABERTA
Abraços com Asas!
Juliana Flory Mota
Pombas Urbanas
domingo, 8 de setembro de 2013
É dada a largada!...Começou o 5° Encontro Comunitário de Teatro Jovem da Cidade de São Paulo
...Ontem...Ayer...Verbo passado, mas ainda é agora.
Ontem teve inicio o 5º Encontro Comunitário de Teatro Jovem da Cidade de São Paulo
Na noite anterior, o corre-corre tremendo. A casa voltando ao lugar depois de 6 meses em reforma. Pela manhã de 07 de setembro o Teatro “Ventre de Lona” dá a luz a seu rebento latino americano. Nasce cheio de sorrisos, de lembranças, e de utopias.
Nasce construindo dialogo, construindo amor, construindo fraternidade.
Os grupos começam a chegar. Muitos os sotaques, o que não nos foi barreiras. Que falem! Que falem em português, portuñol, ou mímica...
Alguns exercícios para aquecer o corpo, e logo começa o cortejo.
Enquanto isso, nós atores do Pombas Urbanas, levávamos nossas araras e caixotes para a praça, para apresentação de Mingau de Concreto que abriu o "Encontro".
E onde está o cortejo? nos perguntavamos, enquanto nos aqueciamos na praça do 65..Um sol forte, as pessoas se achegando...Era inevitavel sonhar com tudo que estava acontecendo logo ali, nas ruas do entorno...Uma grande festa, com os companheiros de toda america Latina,com os parceiros paulistas Ilu Oba de min,Grupo Alma, Sucatas Ambulantes, Nery Company, Escola de Samba Principe Negro...Todos colorindo as ruas de nosso bairro.
Até que com os personegens já caracterizados, chega o cortejo à praça. Uma grande roda com moradores, familias, jovens e artistas ...A tarde foi caindo e lua ao lado de vênus nos brindaram com a abertura oficial do evento e logo em seguida o lançamento do livro de nosso "maestro" Rolando Hernandez, de Cuba. E para terminar o dia, e abrir os caminhos, o Samba de Roda Nega Duda...E este é só começo! EVOÉ
Ontem teve inicio o 5º Encontro Comunitário de Teatro Jovem da Cidade de São Paulo
Na noite anterior, o corre-corre tremendo. A casa voltando ao lugar depois de 6 meses em reforma. Pela manhã de 07 de setembro o Teatro “Ventre de Lona” dá a luz a seu rebento latino americano. Nasce cheio de sorrisos, de lembranças, e de utopias.
Nasce construindo dialogo, construindo amor, construindo fraternidade.
Os grupos começam a chegar. Muitos os sotaques, o que não nos foi barreiras. Que falem! Que falem em português, portuñol, ou mímica...
Alguns exercícios para aquecer o corpo, e logo começa o cortejo.
Enquanto isso, nós atores do Pombas Urbanas, levávamos nossas araras e caixotes para a praça, para apresentação de Mingau de Concreto que abriu o "Encontro".
E onde está o cortejo? nos perguntavamos, enquanto nos aqueciamos na praça do 65..Um sol forte, as pessoas se achegando...Era inevitavel sonhar com tudo que estava acontecendo logo ali, nas ruas do entorno...Uma grande festa, com os companheiros de toda america Latina,com os parceiros paulistas Ilu Oba de min,Grupo Alma, Sucatas Ambulantes, Nery Company, Escola de Samba Principe Negro...Todos colorindo as ruas de nosso bairro.
Até que com os personegens já caracterizados, chega o cortejo à praça. Uma grande roda com moradores, familias, jovens e artistas ...A tarde foi caindo e lua ao lado de vênus nos brindaram com a abertura oficial do evento e logo em seguida o lançamento do livro de nosso "maestro" Rolando Hernandez, de Cuba. E para terminar o dia, e abrir os caminhos, o Samba de Roda Nega Duda...E este é só começo! EVOÉ
sábado, 31 de agosto de 2013
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
O TEATRO É NOSSA PÁTRIA
Red Latinoamericana de Teatro en Comunidad
(Texto escrito por Valmir Santos* sobre a fundação da Red, em 2009)
Um grande círculo azul celeste preenche o miolo cimentado do
galpão do Centro Cultural Arte em Construção, sede do Instituto Pombas Urbanas
no bairro Cidade Tiradentes. Nas últimas três semanas, o espaço foi preenchido
ombro a ombro, braços, pernas e corpos por cerca de cem homens, mulheres e
crianças de toda a América Latina. Eles se entrelaçariam dia e noite em busca
da força emocional e espiritual de Dom Quixote e Sancho Pança para impulsionar
o nascimento da Red Latinoamericana de Teatro en Comunidad.
Os sonhos de Dom Quixote guiaram as horas e os dias dessa ciranda
fraterna de artistas argentinos, bolivianos, brasileiros, chilenos,
colombianos, cubanos, guatemaltecos, mexicanos, peruanos e salvadorenhos. Em
comum, eles nutrem um profundo respeito pelo teatro em, com e para a
comunidade. Reafirmam o quintal para falar ao mundo.
Vindos de bairros, vilas ou povoados em arrabaldes onde
conseguiram riscar zonas autônomas de arte e de cultura em meio a conflitos
sociais, políticos e econômicos, foi fácil ambientar-se à nova casa no extremo
leste da cidade de São Paulo. Ali, atravessaram manhãs, tardes e noites nos
ensaios das 12 cenas de El Quijote, a versão do diretor Santiago García,
do Grupo Teatro La Candelaria, de Bogotá, Colômbia, para o clássico romance
espanhol de todos os tempos.
A partir do local onde foi gestado El Quijote, Cidade
Tiradentes, os grupos embarcaram em ônibus, kombis e vans para ziguezaguear
basicamente entre o espaço de trabalho, o hotel zona leste adentro e o SESC
Pompeia zona oeste além, conforme o ponto de partida que se adote na cidade.
No galpão de mil e seiscentos metros quadrados do Centro Cultural
Arte em Construção - porque assim o será sempre, arte nunca se dá por concluída
-, ali todos retroalimentaram histórias, se emocionaram, se reconheceram,
almoçaram e jantaram a cumplicidade de colaborar um com a cena do outro numa
generosidade infinita para exercer o sentir, o olhar, o tocar e o escutar em
nome do afeto e do amor incondicionais para criar e construir com confiança.
Esses coletivos teatrais colocaram em ação o diálogo com o qual estão
habituados a lidar em seu fazer teatral comunitário com o vizinho de
parede-meia ou do quarteirão de trás.
Partem do princípio de que todo indivíduo e comunidade têm algo a
dar como fruto de seu labor, de sua existência: uma música, uma dança, uma
história, um poema, um prato típico, uma peça artesanal. Nesse sistema
espontâneo de troca, convém não pregar lições ao interlocutor, tentar
iluminá-lo quanto a vicissitudes humanas, transmitir consciência disso ou
daquilo. O laço cultural nasce de impulsos suficientemente fortes que,
parafraseando o corpo, estimulam o movimento, o gesto, a representação.
Um mutirão dos trabalhadores da arte concretiza o sonho de trazer
à luz este El Quijote multicultural, marco do lançamento da Red
Latinoamericana de Teatro en Comunidad. Organização sem fins jurídicos, mas bem
profundamente simbólicos, a Red foi articulada em encontros realizados entre
2005 e 2008 em Medellín, pela Corporación Cultural Nuestra Gente; na Argentina,
pela La Comedia de Campana e pelo Grupo Catalinas Sur; em Cuba, pelo Teatro
Andante, Quinto Teatro e Teatro los Elementos; e em São Paulo, pelo Instituto
Pombas Urbanas.
Essas vozes comuns fortaleceram o entendimento e a clareza quanto
à importância da ação da Red no continente, ampliando-a cada vez mais a outros
pares. Nesses encontros, o diálogo dos grupos e a interação de experiências
possibilitaram pensar uma Escola Aberta de Teatro em Comunidade, cujos reflexos
convergem para a criação coletiva de El Quijote.
Sentimento de pertencer
O teatro em comunidade tem a ver com a busca de uma nova forma de
se organizar no fazer artístico. É o que leva moradores de toda a América Latina
a fundar seus próprios núcleos para contar as histórias de seu território e de
sua gente através do teatro. Diante do caos do mundo de hoje, engolido por
atomização e desordem, é na comunidade que o homem se reconhece como parte de
um espaço coletivo. Tais são o fim e o sentido, mediante leis e identidades
próprias, de todas as culturas.
Lembramos de algumas trajetórias históricas no continente, como a
do Grupo Catalinas Sur, de Buenos Aires, fundado há 26 anos, adepto de uma
linguagem direta e sem rebuscamentos; o cubano Teatro Los Elementos, há 18 anos
centrado em populações ilhadas ou de imigrantes; o Teatro Trono/Compa, há duas
décadas comprometido na Bolívia com o destino de setores excluídos e
proporcionando alternativas artísticas e culturais; os colombianos Colectivo
Teatral Luz de Luna, de Bogotá, com 22 anos de atenção aos jovens cativados à
experiência cênica; e o Teatro Esquina Latina, de Cali, criado há 35 anos e
voltado à ação social; e os grupos que compõem o Consejo de Teatro de la Región
de los Volcanes, no México, organismo há 26 anos dedicado aos segmentos
popular, indígena e comunitário.
O teatro, por suas qualidades, principalmente aquela de duplicar
esse mesmo sentido coletivo em outro espaço de encontro, é um veículo ideal
para conseguir essa comunhão. O teatro comunitário deve ser visto como um
instrumento transformador de realidades, onde os atores da cena são também os
atores sociais sem pretensão de protagonismo e com absoluta humildade.
Para a conformação de um grupo de teatro comunitário,
subentende-se que todos tenham a convicção de que a arte pode ajudar a
solucionar os problemas locais, inclusive tratar esses conflitos num
espetáculo, conforme o desejo e a percepção das pessoas envolvidas. A
comunidade não é mera receptora de uma mensagem previamente elaborada. Ao
contrário, através da reflexão e da análise toma consciência das suas questões
urgentes e vitais. A prática artística é uma maneira de reagir às formas
hegemônicas de conceber a cultura e construir um espaço micropolítico que
valoriza a reinserção social, o trabalho em equipe.
O teatro em comunidade com agentes culturais locais, crianças,
jovens e adultos, cria uma relação que possibilita ver-se no espelho diante da
sua própria realidade. Por meio desse encontro com a arte, alcançam níveis de
valorização enquanto sujeitos responsáveis, transformadores e libertários.
Um ser humano como a criança de Cidade Tiradentes encontra no
circo, no teatro, na biblioteca, na música ou no grafite uma força para
liberar-se espiritualmente, para renovar seu pensamento, se dar conta de que é
capaz de intervir e de ajudar no desenvolvimento da sociedade. Esse sujeito não
reproduzirá em seu território a violência contemporânea, muitas vezes
subliminar e invisível; reivindicará sua humanidade; terá consciência da sua
plenitude criadora.
Não é muito diferente a realidade da criança, do jovem e do adulto
colombianos moradores do bairro Santa Cruz e do entorno, em Medellín. Faz 22
anos que a Corporación Cultural Nuestra Gente ocupa uma casa amarela onde
funcionava um antigo bordel. Trata-se de um trabalho contínuo de socialização
através do teatro e de outras artes como contraponto à barbárie dos cartéis de
drogas responsáveis por milhares de assassinatos e sequestros entre as décadas
de 1980 e 1990.
A instituição desenvolve um processo permanente de formação e
capacitação - humanas e artísticas. Para Nuestra Gente, o tripé capacitação,
investigação e reflexão serve tanto ao crescimento do grupo quanto ao
desenvolvimento social da comunidade à qual pertence. O objetivo é incentivar
uma atitude consciente sobre os fazeres cultural e artístico, vinculando novas
pessoas à atividade e ajudando a compor espaços de convivência e tolerância.
No Brasil, o teatro contracena historicamente com projetos sociais
nos percursos do Teatro Experimental do Negro, nos anos 1940 e 1950; nos
processos de resistência à ditadura e difusão de uma dramaturgia nacional
popular com o grupo Opinião e o Centro Popular de Cultura (CPC) da União
Nacional dos Estudantes, nos anos 1960; e nas técnicas e ações do Teatro do
Oprimido desenvolvidas a partir dos anos 1970, para citar alguns exemplos.
Tomando esse horizonte, entre os núcleos ativos em São Paulo
citamos o Teatro União e Olho Vivo, fundado há 42 anos, com sede no Bom Retiro,
região central, e o Grupo Pombas Urbanas, nascido há duas décadas e há cinco
anos radicado em Cidade Tiradentes.
Um dos fundadores do Pombas, em outubro de 1989, o diretor e
dramaturgo peruano Lino Rojas (1942-2005) foi quem idealizou e convenceu os
aprendizes a fixarem sede e morada no bairro dormitório repleto de conjuntos
habitacionais na zona leste – a rigor, mesma região e berço do grupo nascido em
São Miguel Paulista. O cenário do galpão, um antigo mercado, era desolador.
- É aqui que temos que fazer teatro, este é o lugar – insistia
Rojas, mais preocupado com o potencial artístico dos cidadãos do que com a
precariedade do espaço. O bairro era escasso em equipamentos públicos básicos
nas áreas de educação e saúde, o que diria na de cultura.
- Não tinha teto, não tinha piso, parede, nada. O Lino nos dizia
todos os dias: “Sonhem as paredes, sonhem o teatro, sonhem as obras que vão
surgir deste espaço, dessas pessoas”. Tudo aqui é feito porque existem pessoas
que estão sonhando – afirma Adriano Mauriz, que partilha o projeto utópico de
Rojas e do Pombas desde o início, há duas décadas, quando contava apenas 13
anos de idade.
Em atividade desde 2004, o Centro Cultural Arte em Construção é a
tradução mais cristalina da militância do jovem Rojas em Lima, sob ditadura
militar, antes de sua vinda ao Brasil em 1975. Ele integrava o grupo Cuyac –
Cultura y Rebelión, formado por estudantes e operários que empreendiam ações
culturais clandestinas lendo poemas, exibindo documentários e apresentando
esquetes de teatro nas favelas e nas minas.
Transformação social
A arte como meio de transformação social impregna a construção
conjunta de El Quijote. Isso transparece na metodologia que cada grupo
elabora no treinamento de ator e na concepção do texto ou da encenação. Para o
diretor Victor Soto, do Colectivo Teatral Antu, do Chile, seria preciso
inclusive elaborar uma grade curricular que atenda às especificidades do
artista comunitário.
- Temos necessidade de trabalho corporal, vocal, de construção de
emoção e de tempo diferentes da escola de teatro oficial – afirma Soto, um dos
idealizadores do Encuentro de Teatro Popular Latinoamericano, o Entepola,
nascido em Santiago em 1987 e atualmente convertido em Festival Internacional
de Teatro Comunitário.
Novas práticas sociais não surgem como um fim em si mesmas. Elas decorrem
da mobilização estética do núcleo que a exerce, simbiose de artistas formados
ou autodidatas apaixonados. As temáticas, os conteúdos e os modos de criação despertam
significados para o sujeito em coletivo. Ele reconhece sua dignidade e seus direitos
como cidadão.
Viver junto, e não juntos, não é viver só em família, só entre
amigos. É uma questão de esfera pública, não privada; diz respeito à pólis,
porque “estamos permanentemente na dependência do contato com pessoas que não
escolhemos”, situa a psicanalista Maria Rita Kehl. Não por acaso, a Bienal de
São Paulo 2006 problematizou o tema Como viver junto.
Durante os seminários daquela edição da Bienal, ao diagnosticar as
opções da arte contemporânea na Rússia pós anos 1990, marcada por um
individualismo exasperado e pelo colapso de qualquer forma de laços sociais
estáveis e de solidariedade, o pesquisador Viktor Misiano concluiu que “as
novas comunidades se veem em confronto com a tarefa de construir não apenas
zonas de solidariedade e de criação, mas também de construir zonas de autonomia
artística”.
O diretor peruano César Escuza Norero, do Grupo Vichama Teatro, vê
os rituais comunitários dissolverem-se ao longo dos tempos por conta de modelos
econômicos, discursos ideológicos que priorizam o indivíduo em detrimento do
coletivo.
- O teatro é um espaço em que isso está sendo resgatado. Não pode
haver indivíduos sem comunidade, isso é uma mentira, somos seres sociais. O
problema é como nos desenvolver individualmente e também contribuir com a
comunidade ou como o sentido comunitário também ajuda a nos desenvolver
pessoalmente – diz Norero.
- O teatro é o que nos une – resume Marcelo Palmares, ator e um
dos coordenadores do Pombas Urbanas.
Os coletivos de teatro em comunidade instauram sociabilidades em
territórios latino-americanos e caribenhos dilacerados historicamente por
colonizações e ditaduras militares e financeiras que lhes impingiram
invisibilidade. A resistência vem do ato de sensibilizar o ser para a vida e
para a arte na contramão do cada um por si.
Sancho e Quixote comunicam o espírito da colaboração mesmo sob
discordâncias de pontos de vistas. Refutam a tirania do consenso. As diferenças
não os anulam. Antes, complementa-os na construção da autonomia que os torna
interdependentes. A interdependência projeta o indivíduo em direção ao outro;
consiste no entendimento do outro como razão de existir – um projeto artístico
em comunidade culmina essa instalação no lugar do outro.
A extraordinária aventura humana deste El Quijote foi feita de muitos encontros. Um deles emblemático pela
sincronia com o ciclo da vida: o da pequena Ivana, de um ano e oito meses,
filha da atriz Ana Salazar, do Grupo Teatro Trono, da Bolívia, com a dona de
casa Angelina de Oliveira Carvalho, de 62 anos, uma entusiasta do trabalho do
filho Paulo de Carvalho Júnior como ator do Pombas Urbanas, a ponto de frequentar
uma oficina de iniciação ao ofício a essa altura do jogo entre o céu e a terra.
As duas conformam uma ponte entre as gerações de homens, mulheres e crianças
ávidas por fruir a arte e a cidadania em todas as suas dimensões.
Assim, numa linha transversal imaginária que vai da Patagônia ao
Rio Bravo, passando pelo Rio Negro, pelo Rio Orinoco, pela Cordilheira dos
Andes e até pela Macondo de Cem Anos de Solidão, a Red Latinoamericana
de Teatro en Comunidad pisa firme o chão azul celestial do Centro Cultural Arte
em Construção. E, abraçada à canção do compositor cubano Silvio Rodríguez, Rabo
de Nube, emana a esperança de que nunca faltarão o amor e a coragem para
enfrentar tempestades de todas as naturezas:
Si me dijeran pide un deseo,
preferiría un rabo de nube,
que se llevara lo feo
y nos dejara el querube.
Un barredor de tristezas,
un aguacero en venganza
que cuando escampe parezca
nuestra esperanza
Fontes de pesquisa:
LAGNADO, Lisette. et. al.
(org). 27ª. Bienal de São Paulo: seminários. Rio de Janeiro: Cobogó,
2008.
RODRÍGUEZ, Silvio. Rabo
de Nube. Canção composta no final
dos anos 1970 pelo cantor e poeta, um dos expoentes da música cubana.
*O jornalista Valmir Santos é mestre em artes cênicas USP e autor da pesquisa "Corpus Alado- Cultura Rebelião no Teatro de Lino Rojas"(2009), resultado do projeto "Estimulo a produção Critica em Artes"-FUNARTE/MinC. Foi convidado especialmente para acompanhar o processo de residência dos artistas envolvidos na montagem de El Quijote, marco da fundação da Rede Latino Americana de Teatro em Comunidade.
domingo, 18 de agosto de 2013
VEM AÍ! 5° ENCONTRO COMUNITÁRIO DE TEATRO JOVEM DA CIDADE DE SÃO PAULO
PREPARE-SE! De 07 a 15 de Setembro acontece o 5° Encontro
Comunitário de Teatro Jovem da Cidade de São Paulo, que vai abalar as
estruturas!
O 5° Encontro Comunitário traz grupos e artistas de 12 países (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Guatemala, México, Peru, Uruguai e Brasil), para um intercâmbio artístico, apresentações teatrais e oficinas que vão colorir e agitar o bairro Cidade Tiradentes!
Venha desfrutar de uma intensa programação artística, ocupar praças e ruas do bairro Cidade Tiradentes com teatro e cortejos e conhecer o fazer teatral desses coletivos e a atuação ativa em seus países!
O 5° Encontro Comunitário traz grupos e artistas de 12 países (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Guatemala, México, Peru, Uruguai e Brasil), para um intercâmbio artístico, apresentações teatrais e oficinas que vão colorir e agitar o bairro Cidade Tiradentes!
Venha desfrutar de uma intensa programação artística, ocupar praças e ruas do bairro Cidade Tiradentes com teatro e cortejos e conhecer o fazer teatral desses coletivos e a atuação ativa em seus países!
VOCÊ NÃO PODE PERDER!
Então confira a programação:
Sábado – 07/9
10h - Acolhimento e Oficina de Integração
14h - Abertura – Concentração para o cortejo
15h - Cortejo com o grupo afro Ilú Obá de Min, São Paulo
16h - “Mingau de Concreto”, do Grupo Pombas Urbanas (Praça do 65)
19h30- Lançamento do livro “Teoría, Técnica y Práctica Del Suceso en la Vida y en el Teatro”, do director cubano Rolando Hernandez
20h - Apresentação do “Samba de Roda Nega Duda” e do grupo de percussão “As Três Marias, o Sol e a Lua”, São Paulo
Domingo – 08/9
11h - “Sketch”, do Grupo Pantolocos de Casa Arte, Colômbia (Praça do 65)
15h - Fórum: “Teatro Jovem – Transformando Nosso Corpo Continente”
20h - “Entre el Cielo y la Tierra”, do Teatro de Los Volcanes, México
Segunda – 09/9
10 h - Reunião da Rede Latino Americana de Teatro em Comunidade – Avaliação
10h - Intercâmbio com os jovens – Articulação Comunitária (CEU Água Azul)
15 h - Oficina de Dramaturgia, com o Grupo de Teatro Esquina Latina, Colômbia
15h - Oficina de Trabalho Corporal, com o grupo Caja Lúdica – Guatemala
20h - “Nós da Lona - Uma Arriscada Trama de Picadeiro e Asfalto”, do Grupo de Circo Teatro Palombar, São Paulo
Terça – 10/9
10h - Reunião da Rede Latino Americana de Teatro em Comunidade - Próximos Passos
10h - Reunião da Rede Latino Americana de Teatro em Comunidade - Próximos Passos
10h - Intercâmbio com os jovens – Comunicação
(CEU Água Azul)
15 h - Oficina de Dramaturgia, com o Grupo de
Teatro Esquina Latina, Colômbia
15h - Oficina de Trabalho Corporal, com o grupo
Caja Lúdica – Guatemala
20h - “Tudo Está Organizado Para que Nada
Aconteça”, da Cia Humbalada, São Paulo
Quarta – 11/9
8h às 15h - Passeio turístico por São Paulo
20h - “Dois Perdidos”, da Cia do Esculacho (Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes)
Quinta – 12/9
10 h - Reunião da Rede Latino Americana de Teatro
em Comunidade
10h - Intercâmbio com os Jovens – Fazer Teatral (CEU Água Azul, nº1262);
15h - Oficina de Direção, com o grupo Catalina Sur, Argentina
15h - Oficina de Workshop - Linguagem, com o grupo Teatro Trono Compa, Bolívia
20h - “Schoolombia”, do Grupo Pantolocos de Casa Arte, Colômbia
10h - Intercâmbio com os Jovens – Fazer Teatral (CEU Água Azul, nº1262);
15h - Oficina de Direção, com o grupo Catalina Sur, Argentina
15h - Oficina de Workshop - Linguagem, com o grupo Teatro Trono Compa, Bolívia
20h - “Schoolombia”, do Grupo Pantolocos de Casa Arte, Colômbia
Sexta – 13/9
10 h - Reunião da Rede Latino Americana de Teatro em Comunidade
10h - Oficina Teatro e Incidência, com Fredy Bedoya, integrante da Corporación Cultural Nuestra Gente (CEU Água Azul)
15h - Oficina de Direção, com o grupo Catalinas Sur, Argentina
15h - Oficina de Linguagem, com Teatro Trono de Compa, Bolívia
20h - “Cuentos Eróticos Africanos”, do Grupo de Teatro Esquina Latina, Colômbia
Sábado – 14/9
10h - Fórum: “Teatro Jovem – Transformando Nosso Corpo Continente”
14h - Café de la Memória – Encontro artístico que reunirá cenas teatrais, músicas, poesias e outras diversas formas de intervir, com o objetivo de compartilhar experiências dos trabalhos desenvolvidos nos diversos países da América Latina com todos os presentes no encontro.
19h - “Águas Profundas”, do grupo Vichama Teatro, Peru
21h - Show de Edvaldo Santana e Jordana, São Paulo
Domingo – 15/9
11h - “O Morro do Pássaro Falante”, da Casa do Beco, Minas Gerais (Praça 65);
15h - Show Tita Reis, São Paulo
17h – Show Nhocuné Soul, São Paulo
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